“Nomadland”: saiba mais sobre o grande vencedor do Oscar 2021

Separa o lencinho e se prepara para lidar com uma vontade grande de cair na estrada porque o papo agora é o longa “Nomadland”, grande vencedor do Oscar 2021. O roteiro, é uma adaptação do livro “Nomadland: Surviving America in The Twenty-First Century”, que aborda o fenômeno das pessoas mais velhas que, no contexto da Grande Recessão de 2008, adotaram um estilo de vida nômade em busca de empregos sazonais em todo o país.

A trama gira em torno de Fran, interpretada pela brilhante Frances McDormand, uma ex-professora que mora em sua van e viaja pelas estradas dos Estados Unidos depois da morte do seu marido. “Não sou uma sem-teto. Não tenho casa, mas isso não é a mesma coisa”, a personagem explica em uma cena onde encontra ex-alunos no mercado e a incompreensão por parte deles com a escolha de vida de Fran é quase palpável.

Se sentindo claramente deslocada vivendo um estilo de vida que já não se identifica mais, a personagem se rende ao convite de uma amiga e viaja pelo país para um encontro de nômades que também têm suas vans e ônibus como morada. É aqui que a magia do filme acontece! A gente quase consegue sentir o mesmo aconchego que a Fran sentiu ao se reconhecer e se conectar com aquelas pessoas.

Neste ponto, conhecemos alguns protagonistas do livro que interpretam a si mesmos no filme. Bob Wells é um deles, e uma figura muito importante no enredo. Wells estrela cenas de impacto com discursos que, basicamente, dizem: está tudo bem termos este estilo de vida que escolhemos ter. Está tudo bem conseguirmos viver com pouco, não termos residência fixa e sermos felizes assim – algo que Fran parece lutar contra diante de tantos julgamentos contrários de pessoas ao seu redor. 

Em entrevista para a BBC, Wells explica o que o motivou a pegar seu trailer há 25 anos e cair na estrada: ele se divorciou e não conseguia mais sustentar seu estilo de vida, além disso, encarou o suicídio de seu filho e precisava de um motivo para acordar todas as manhãs e viver. Mostrar para as pessoas que existem outras opções e formas de viver se tornou seu grande propósito de vida.

Sem romantizar das circunstâncias que levam seus protagonistas a uma vida sem endereço fixo, que, em sua grande maioria tomou um pontapé do sistema capitalista, o filme cria um retrato muito humano das relações que se formam nos acampamentos onde os nômades se encontram. Segundo Bob Wells, as conexões se tornam mais profundas porque eles não têm tempo a perder. Enquanto um está chegando, outro está indo. A vida de quem viaja é urgente.


Brilhando no Oscar 2021

O longa faturou três importantes estatuetas da premiação: Melhor Filme, Melhor Atriz e Melhor Diretora, entrando, definitivamente, para a história do cinema e a gente te explica o porquê.

Nascida na China, a diretora Chloé Zhao não só é a segunda mulher a vencer na categoria, como é a primeira mulher de origem asiática a levar a estatueta. Além de dirigir, Chloé também escreveu o roteiro e editou o filme com brilhantismo.

Outra mulher que saiu como destaque da  noite, foi Frances McDormand, que além de produzir o filme, também interpretou a protagonista Fran e levou o título de Melhor Atriz pela terceira vez em sua carreira. A nomeação põe Frances como a segunda maior vencedora da categoria, ficando atrás apenas de Katharine Hepburn, que conquistou o prêmio quatro vezes. Antes mesmo da consagração, a atriz norte-americana já fazia história, sendo a primeira mulher a concorrer como protagonista e produtora de um mesmo filme.

Embora histórias e road movies sobre personagens à procura de algo em suas vidas, ou simplesmente à deriva, sejam comuns no cinema, “Nomadland” se torna especial justamente pela sua visão oportuna e muito bem delineada dessa jornada. “O lar é só uma palavra, ou é algo que levamos conosco, aonde vamos”, o longa reflete, questiona e planta em nossa cabeça a sementinha.

Se você ainda não assistiu a esse filmão incrível, real, sensível, inteligente, emocionante e, por vezes, bem humorado, a gente aconselha fortemente que você o faça quando possível. Vale lembrar que nem sempre os motivos que levam alguém a viver sob quatro rodas são bonitos – muitas vezes, aliás, são bem duros, mas a experiência com certeza transforma a vida de quem parte, de quem fica e de quem se encontra pelo caminho. 

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